O Renascimento na Ilha: Como a menopausa me encontrou na Inglaterra

Antes de vir morar na Inglaterra, em 2018, eu já conhecia um pouco deste lugar.
Dez anos antes, havia vindo a turismo e aproveitado a viagem para visitar alguns parentes que moravam mais ao norte da Ilha. Meu encanto foi imediato.
Havia alguma coisa no ar que me despertava lembranças difíceis de explicar. Como nasci e cresci no Sul do Brasil, naturalmente percebia certas semelhanças no clima e na vegetação, mas havia também muitas novidades diante dos meus olhos.
Nunca tinha visto tantas variedades de pequenas flores azuis misturadas aos inúmeros arranjos coloridos colocados diante dos pubs, restaurantes e pelas ruas. As pessoas caminhavam tranquilamente, e tudo parecia ter saído das páginas de algum livro de contos de fadas.
Claro que olhar um lugar com olhos de turista é muito diferente de morar nele.
Ainda assim, depois de quase uma década vivendo aqui, confesso que algumas paisagens continuam provocando em mim aquela mesma sensação.
O conto de fadas, naturalmente, ganhou contas para pagar, dias cinzentos, trabalho duro e uma protagonista que hoje tem 63 anos. 😂
Mas o encanto não desapareceu completamente. Minha mudança definitiva para cá não havia sido exatamente planejada por mim.
A vida familiar tomou novos rumos, minhas filhas escolheram continuar seus estudos na Inglaterra e, de alguma maneira, atravessei outra vez a fronteira, desta vez para ficar.

Quando duas fronteiras se encontraram

O curioso é que, pouco depois de chegar, percebi que não havia atravessado apenas uma fronteira geográfica.
Meu corpo também atravessava a sua.
Cerca de trinta dias depois da mudança, fiz uma conta.
Já estava havia aproximadamente treze meses sem menstruar.
Treze meses.
Eu tinha certeza quase matemática daquele tempo.
E então pensei:
“Ahh, a menopausa praticamente carimbou meu passaporte para a entrada aqui na Ilha.” 😂

Depois de tantos anos atravessando o famigerado climatério, parecia que meu corpo havia escolhido justamente aquele momento para anunciar:


Pronto. Agora entramos oficialmente em outro território.

Os fogachos ainda estavam presentes e haviam se tornado mais frequentes e intensos, embora já não viessem acompanhados daquela fraqueza súbita que eu havia sentido durante outros períodos do climatério.
A sensação era diferente.

Mas não pensem que, junto com o carimbo da menopausa, recebi automaticamente os poderes da Mulher-Maravilha, seu Laço da Verdade indestrutível e algumas armas divinas forjadas por Hefesto para dissipar qualquer hormônio inimigo que resolvesse me atacar de repente. 😂
Não, minhas queridas.
Eu continuava em estado de alerta. Aquela nova fase vinha acompanhada de lembranças difíceis. Não somente pelos muitos anos de sintomas do climatério, mas também porque esse período da minha vida coincidiu com momentos bastante delicados relacionados à saúde da minha mãe, uma história que, em algum momento, contarei por aqui.
Ainda assim, havia alguma coisa diferente.
Eu sabia que uma longa travessia do meu corpo estava chegando ao outro lado.
Agora vocês podem estar pensando:
“Será que ela marcou uma consulta médica para avaliação e acompanhamento?”
Não.
Não foi isso que aconteceu.
Eu era uma mulher recém-chegada a um país novo, ainda insegura com o inglês, tentando compreender aplicativos, sistemas, costumes e toda aquela pequena burocracia cotidiana que parece simples até precisarmos enfrentá-la numa língua que ainda não dominamos.
Meu marido e minhas filhas estavam muito ocupados e, naquele momento, preferi me silenciar a pedir ajuda.
Hoje consigo olhar para aquela mulher com outros olhos.
Mas foi o que fiz naquele momento.
Por outro lado, não fiquei completamente parada.
Comecei uma espécie de peregrinação pelas prateleiras de saúde dos supermercados, farmácias e lojas especializadas em suplementos.
Aquilo era novidade para mim.
Durante os anos em que atravessei o climatério, nunca havia criado o hábito de procurar esse tipo de produto e tampouco me lembrava de ter recebido muitas orientações sobre eles. E não falo somente da minha passagem por médicos no Brasil. Antes de chegar à Inglaterra, eu já havia morado em outros dois países.
Minha peregrinação pelas prateleiras britânicas foi quase instintiva.
Eu olhava.
Lia.
Tentava compreender os rótulos.
Comparava produtos.
Até que, certo dia, meus olhos encontraram uma caixinha de Menopace, da Vitabiotics.
Fiquei desconfiada.
Eu já havia lido muitos comentários nas redes sociais de mulheres frustradas com produtos voltados para aquela fase da vida.
“Não adianta.”
“Nada resolve.”
Mesmo assim, resolvi experimentar o suplemento.
E então aconteceu uma coisa que me surpreendeu.
Depois de aproximadamente quarenta dias de uso, comecei a perceber mudanças em mim.
Senti minha energia diferente, mais renovada, e os calorões, que até então continuavam aparecendo sem qualquer cerimônia, diminuíram até deixarem de me incomodar.
Na minha experiência, foi como se finalmente tivessem ido para o espaço.
Fumacinha neles! 🌫️😂
Eu me sentia melhor.
E, pouco a pouco, uma sensação que havia ficado soterrada debaixo de anos difíceis começou a reaparecer.
Esperança.
Não aquela esperança ingênua de imaginar que, dali em diante, a vida seria um permanente dia ensolarado na Ilha. A vida não funciona assim.
Entrar na menopausa não resolveu meus problemas.
Não me transformou numa nova mulher da noite para o dia.
E certamente não colocou um ponto-final nas dificuldades que ainda encontraria pela frente.
Mas alguma coisa em mim começava a renascer.
Talvez fosse a sensação de que eu havia finalmente chegado ao outro lado de uma travessia muito longa.
Durante tantos anos, meu corpo havia exigido atenção. Sangramentos, fogachos, fraqueza, mudanças que eu nem sempre compreendia e uma sucessão de acontecimentos pessoais difíceis haviam ocupado muito espaço dentro de mim.
Agora, pela primeira vez em muito tempo, eu conseguia olhar um pouco mais para a frente.
E penso que foi esse o meu verdadeiro renascimento na Ilha.
Não foi um acontecimento grandioso.
Não houve trombetas.
Nenhum passarinho azul pousou na minha janela.
E os hormônios inimigos, até onde sei, não foram vistos fugindo desesperadamente pelo Canal da Mancha. 😂
Foi alguma coisa muito mais silenciosa.
Enquanto eu aprendia a viver num novo país, começava também a aprender a viver num corpo que havia acabado de atravessar outra fronteira.
Duas chegadas.
Uma mulher.
Dois territórios desconhecidos.
Em um deles, eu precisava aprender uma nova maneira de viver.
No outro, precisava reaprender a viver em mim.
E foi assim que a menopausa carimbou seu próprio passaporte justamente quando eu chegava à Inglaterra.
Hoje percebo que aquele carimbo não dizia:
“Aqui terminam as dificuldades.”
Dizia apenas:
“Uma etapa terminou. Agora descubra o que ainda pode começar.”
E eu comecei. 🌷

  • Observação: Minhas queridas, cada corpo é um cadinho único, atravessando suas próprias transformações. O que compartilhei aqui faz parte da minha experiência e não significa que os mesmos resultados acontecerão com todas as mulheres. Antes de iniciar qualquer suplemento, leiam o rótulo com atenção e conversem com seu médico, ginecologista ou outro profissional de saúde de confiança, especialmente se fizerem uso de medicamentos ou tiverem alguma condição de saúde. Cuidar de nós mesmas com informação e responsabilidade também é um dos ingredientes da nossa alquimia.*

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