O primeiro ingrediente: Por que Alquimia da Maturidade ?

Sejam bem-vindos ao meu recanto secreto.
Tenho 63 anos.
Penso que, justamente por isso, uma das primeiras coisas que quero dizer por aqui é que maturidade não é sinônimo de idade. Sei que vocês já sabem disso. Ainda assim, achei melhor deixar isso claro antes de começarmos a mexer neste cadinho.
Conheço pessoas jovens capazes de olhar para a vida com uma maturidade admirável e outras que atravessaram muitas décadas sem necessariamente fazer as pazes com determinadas lições.
Os anos contam o tempo. A maturidade, penso eu, conta um pouco daquilo que fazemos com ele.

Uma alquimia construída ao longo da vida

Muito antes de atravessar o oceano Atlântico rumo à Europa, a vida já vinha acrescentando seus ingredientes. A infância, a juventude, a família, as escolhas, os afetos, os aprendizados e até aquilo que, na época, eu ainda não sabia nomear já faziam parte da mulher que eu estava me tornando.
Aos 39 anos, deixei minhas raízes no Brasil.
Na bagagem vieram os medos naturais de quem começa uma nova etapa, alguns sonhos, muitas expectativas e aquela disposição quase atrevida de imaginar que ainda havia tempo de sobra para decidir tudo depois.
Havia mesmo.
Só não era infinito. 😂
Hoje, quando olho para aquela mulher que partiu rumo à Europa, vejo-a com um carinho diferente. Ela não estava começando a sua história. Levava consigo uma vida já vivida e ainda encontraria muitos outros ingredientes pelo caminho.
O tempo passou. Vieram experiências, mudanças, tropeços, recomeços e, naturalmente, os cabelos brancos, sinais discretos de que o tempo segue o seu curso, enquanto eu sigo o meu.
Percebo o quanto mudei e, principalmente, a quantidade de histórias, descobertas e perguntas que fui acumulando.
Foi daí que nasceu o Alquimia da Maturidade.
Não exatamente da necessidade de esvaziar a bagagem, mas da vontade de abri-la. E, meus queridos, depois de tantas décadas, há muitas coisas dentro dela.
Há casamento, família, emigração, mudanças no corpo, as transformações trazidas pelo tempo, ancestralidade, espiritualidade, costumes de outros tempos, lembranças da infância, descobertas da maturidade e aquelas situações aparentemente insignificantes que, por alguma razão, ficam guardadas na memória durante uma vida inteira. Há também os saberes herdados, o aconchego da casa, receitas, tradições, curiosidades e pequenas descobertas que continuam surgindo quando menos espero.
Algumas histórias me fizeram rir. Outras doeram. Algumas só consegui compreender muitos anos depois. E há aquelas que, quando hoje revisito, me fazem pensar:
“Minha filha, você foi corajosa!”
E pensando bem… ainda sou. 😊

O que fazemos com os ingredientes que a vida nos oferece?

A vida raramente nos entrega dias perfeitos.
Ela nos oferece pequenos ingredientes.
Às vezes, chegam em forma de alegria. Outras vezes, como uma decepção, um silêncio, uma conversa inesperada, um sonho, uma lembrança ou uma pergunta que insiste em permanecer dentro de nós.
Durante muito tempo, acreditei que esses acontecimentos simplesmente passavam pela minha vida. Hoje penso diferente.
Alguns realmente passam, e ainda bem, porque não precisamos transformar tudo em uma grande reflexão filosófica.
Outros, porém, permanecem.
Às vezes é somente depois de muitos anos que conseguimos olhar novamente para determinado acontecimento e perceber alguma coisa que, enquanto o vivíamos, não conseguíamos enxergar.
É aí que encontro uma das graças de amadurecer.
Não porque determinada idade nos conceda automaticamente um certificado de maturidade, seria fácil demais, mas porque o tempo nos oferece matéria-prima.
O que fazemos com ela é outra história.
Podemos repetir algumas escolhas, rever outras, preservar aquilo que nos fez bem e reconhecer que certas convicções já não combinam com a pessoa que nos tornamos.
Também podemos fazer perguntas.

Por que determinada lembrança ainda me acompanha?

O que aprendi com aquilo que não aconteceu como eu esperava?

Será que hoje eu faria diferente?

Nem sempre encontro respostas. Mas descobri que uma boa pergunta também pode modificar a maneira como enxergamos uma história antiga.
E isso, para mim, é alquimia.
É transformar experiência em conhecimento, tropeços em discernimento, lembranças em histórias e o tempo vivido em ingredientes para aquilo que ainda pode florescer.

O que você encontrará neste cadinho?

Este espaço reúne memórias, reflexões e descobertas sobre as muitas transformações que atravessam a vida e ganham novos significados quando observadas pela perspectiva da maturidade. Aqui também encontram lugar a ancestralidade, a espiritualidade, os saberes e tradições que carregamos conosco e aquilo que continuo aprendendo ao longo do caminho.
Mas quero que seja também um lugar de troca, mesmo quando essa troca acontece silenciosamente entre quem escreve e quem lê. Em alguns textos, uma situação cotidiana será o ponto de partida para uma reflexão. Em outros, recorrerei à história, à ancestralidade ou aos costumes de outros tempos. Haverá momentos em que uma experiência pessoal poderá abrir espaço para informações que ajudem a compreender melhor determinado assunto. E haverá histórias que simplesmente merecem ser contadas.
Não pretendo transformar cada acontecimento em lição.
Há dias que são somente dias. Mas há experiências que deixam alguma coisa conosco. Quando isso acontecer, quero olhar um pouco mais demoradamente para elas e perguntar:

O que posso compreender daqui?

E, principalmente:

Há alguma coisa nesta experiência que também possa ser útil a quem está lendo?

Essa pergunta tornou-se importante para mim porque nossas histórias são individuais, mas muitos sentimentos não são.
Mudam os nomes, as cidades, as famílias e as circunstâncias. Ainda assim, quem nunca precisou recomeçar, rever uma expectativa, conviver com uma mudança inesperada, reconsiderar uma decisão ou simplesmente admitir que ainda está aprendendo.

Se uma experiência minha provocar uma pergunta sua, oferecer uma informação que você desconhecia, despertar uma lembrança, proporcionar alguns minutos de companhia ou ajudar você a olhar para alguma parte da própria história por outro ângulo, então estas palavras já terão encontrado uma razão para estar aqui.

Uma alquimia ainda em processo

Sou uma mulher madura, olhando para a vida de um ponto da estrada de onde já consigo enxergar bastante coisa para trás, mas onde ainda há muito caminho pela frente.
Continuo vivendo, aprendendo, mudando de ideia e descobrindo que algumas respostas só fazem sentido até que a vida nos apresente novas perguntas. Foi também por isso que resolvi mexer neste cadinho.
Não existe roteiro rígido por aqui.
Assim como a vida, este blog seguirá o fluxo das estações, das memórias, das curiosidades e das conversas que forem surgindo.
Não sei quem você é.
E você também não precisa saber exatamente quem eu sou.
Por enquanto, basta saber que sou a Senhora do Cadinho.
Se alguma destas palavras encontrar eco na sua própria história, este espaço já terá cumprido parte do seu propósito.
Venha descobrir comigo o que ainda pode surgir deste cadinho.

Muitas alquimias já aconteceram. Outras continuam em pleno processo. 🌷🌷🌷


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